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Porque importa novamente o descasque no país de origem

Durante três décadas, o comércio do caju assentou numa divisão de trabalho simples. A África Ocidental cultivava a noz. A Ásia descascava-a. A amêndoa viajava depois uma segunda vez, até à Europa ou à América do Norte, antes de chegar a uma prateleira. A Guiné-Bissau situava-se na extremidade de origem dessa cadeia, exportando em bruto cerca de nove décimos da sua colheita.

Esse modelo está a esbater-se. Os custos de frete nos trajetos para a Ásia não regressaram aos níveis anteriores a 2020. As tabelas tarifárias divergiram de formas que favorecem as amêndoas expedidas diretamente da origem. E o acesso isento de direitos à União Europeia ao abrigo do regime Everything But Arms (EBA) aplica-se à amêndoa processada, e não apenas à noz em bruto.

O resultado é que uma tonelada descascada em Bissau compete hoje, em custo de chegada, com uma tonelada descascada a seis mil milhas de distância, antes sequer de se considerar a cadeia mais curta, o menor manuseamento ou a rastreabilidade que os compradores exigem cada vez mais por escrito.

Nada disto torna o processamento fácil. A disciplina no rendimento de amêndoa, o controlo da humidade e a consistência da classificação são problemas operacionais que premeiam a experiência e penalizam a improvisação. Mas o argumento comercial já não depende de sentimento em relação ao valor acrescentado local. Depende de aritmética, e a aritmética mudou.